quarta-feira, 21 de março de 2012

PODERZINHO


É o maldito poderzinho que tomou conta dos seres e do ser inteiro de uns e outros; de muitos que consideram que detêm o todo, mas que nem chegam a saber de tudo e, afinal das contas, não são quase nada.

O poderzinho que engana os que nem chegaram ao topo, mas que disseram para si mesmos que só conseguem enxergar os demais com a visão de um altiplano. Esse poderzinho que faz com que acordem, de manhã, e se sintam satisfeitos e motivados pelo simples fato de possuírem algum cargo que lhes serve de devoção. Idolatram suas funções, suas posições, seus cabides imaginários onde psicodelicamente se veem pendurados. Mal sabem que ali estão sustentados por tênues fios, quase invisíveis, quase inexistentes…

Ah! Esse poderzinho que começa minúsculo e adquire musculatura, nutrido pelo orgulho próprio, pelo narcisismo, pela piedade própria; fornido à base de auto-elogio, que não serve a ninguém e tampouco serve para qualquer finalidade. A não ser como alimento do egocentrismo diário que dá forças para quem é verdadeiramente fraco…

O poderzinho engana, mas engana com maestria. Faz pensar que se está em um voo alto, nas nuvens, a uma distância segura de tudo o que pode se constituir em ameaça. Mas, quando acaba, quando fenece, revela um pobre mortal que nem decolou, nem aterrissou. De impávido e soberbo passa rapidamente a miserável, dependente, esvaziado.

O poderzinho vem vestido de batina, de terno, de roupas casuais, de vestidos caros, de chapéu, com calças rasgadas, com cabelos pintados, com penduricalhos pelo corpo. Não tem idade, mas perpassa a todas elas, sem distinção de sexo, raça ou cor. Esse poderzinho é ousado, é audacioso, petulante, provocador e manipulador. Sempre disposto a pisar por onde quer que veja necessidade. Sem se constranger por ter de espezinhar a quem quer que se interponha em seu caminho. Nem olha para os lados, só vislumbra o horizonte e nem se demora em muito pensar.

O poderzinho não se corrige, nem se permite ser corrigido. Não se arrepende, nem mesmo de não ter se arrependido ainda. Foge de si mesmo e vai de encontro ao outro. Luta para não se encontrar sozinho sem súditos, subalternos, subordinados, pois do horror desses vive…melhor, sobrevive.

Seu maior demérito é não compreender que pratica a autofagia. Destrói a si mesmo de pouco em pouco calcado na ignorância sobre o que está ao seu redor. Não abre os olhos para ver que perece em frangalhos e que nada possui e o que tem deverá perder. Em breve…

É… o poderzinho não aprende que em essência é, de fato e indiscutivelmente, pequeno, menor do que pensa e muito menor do que os outros o percebem. Apenas no espelho se vê gigante, no espelho distorcido de uma mente que fantasia e se esvazia.

Felipe Lemos Wordpress

Nenhum comentário: